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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Espirro


Serei só carcaça dentro do esquife
Apodrecendo a cada festejo de vermes
Minha ossatura não será ornamento
Porém, nela os vermes irão brincar!

Vitalidade me abandona, estou pálido!
As flores de meus anos já são murchas
A vida é uma fatalidade sem escape
E morrer dissipará todo este sofrimento?

Cansado, escasso, estou vazio! Sou hermético!
Estou cada vez mais próximo de um cadáver
Já disse em outro poema que sou anoréxico?

Espirro dores, tormentas que carcomem.
Como posso existir nesse mundo desbotado?
Espirro meu ser... Esvaeço? Morrei só?
                                               (06/04/08)

Corpo pálido


Estou dormindo na tumba de um sonho
Sou uma solidão até que me desperte
Meu corpo está ferido por palavras
Será que sempre estive sangrando?


Meu sorrir não tem esboço algum
A tristeza é cinza e desconfortável
Preciso ir, pois sempre estive perdendo
Ninguém poderia me olhar nos olhos


Só enxergariam a raiz crescente do vazio
Estou preso dentro desse invólucro!
Não poderia me cortar, não seria seguro!


Preciso ir, não estou seguro!
Não é preciso respirar, nada importa!
Tudo é nítido e estarei pálido...

Mother death


Estou aqui e o que vejo me deprime!
Não preciso provar nada, estou cansado!
Olhando ao redor as mesmas coisas
Ontem ficou distante; o sol nasce.

Eu deveria ter ido embora logo
Estou gastando tempo e isso é fútil
Cresci ouvindo coisas tão absurdas
Jamais tive o amor sincero.

Me apaixonei por uma garota
Estou tão distante e continua bem aqui
Sempre em minha mente antes de dormir

Adoraria sonhar, mas se tornou difícil
Todos os sonhos quebrados como um espelho
Sabe, sinto falta de mim e isso dói!

Fim sem retorno


A vida é um veneno mórbido
Te matando lenta e cruelmente!
Só sinto angústia e desespero
Estou completamente vazio!

Não me dê outra merda de sonho!
Estou cansado de ilusões espelho
Realidade crua cegando meus olhos
Percebo isso todos os dias e dói

Como uma faca rasgando as entranhas
Como um martelo em sua cabeça
Viver se tornou um vício que destrói


Alguém deveria ter me alertado!
E você olha pra tudo e todos
E tem certeza de que não há retorno...

Li ter(á)tura

Literatura que dura
expondo a dureza do duro
Dos pés de pedra do menino
Que caminha pelas ruas

Quem atura a dura
Dos preços das passagens?
Roubando cada centavo, no duro!
O capitalismo é um durad/ouro

Enquanto o povo na maior dureza
morre duro de fome de educação
Até quando, até quando, não é pergunta!

É certeza durante tantas
Diariamente ver renovadas ditaduras
E o menino descalço no concreto, duro!

                    Só pra citar Paulo Leminski